Dados da Antaq sobre 2024 foram retomados em evento realizado em Brasília; grupo de trabalho instalado em 2026 acompanha barreiras à igualdade no setor.
Por Redação Pimenta Notícias
O debate sobre a presença feminina no setor portuário brasileiro ganhou um novo capítulo no 2º Encontro Mulheres a Bordo, realizado em Brasília na quinta-feira, 15 de outubro. A programação reuniu representantes de empresas, especialistas e integrantes do poder público para discutir oportunidades profissionais e barreiras que ainda dificultam a participação das mulheres em atividades ligadas à logística e à infraestrutura.
O dado que dimensiona o desafio foi apresentado pelo Ministério de Portos e Aeroportos, em divulgação oficial de 16 de outubro: as mulheres correspondiam a 17,8% da força de trabalho portuária em 2024. O percentual tem como referência a segunda Pesquisa sobre Equidade de Gênero no Setor Aquaviário, da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). Trata-se de um retrato daquele ano, e não de uma estimativa para 2026.
O encontro, promovido pelo Grupo Tribuna, abordou a integração entre diferentes modalidades de transporte, inovação, sustentabilidade, competitividade e comércio exterior. A discussão sobre equidade foi inserida nesse contexto mais amplo: o crescimento do setor também depende de qualificação, ambientes de trabalho seguros e acesso efetivo a oportunidades.
Segundo o ministério, o Fórum dos Trabalhadores Portuários aprovou, em dezembro de 2025, a criação de um grupo de trabalho dedicado à equidade de gênero. A iniciativa foi instalada em março de 2026, com a missão de identificar obstáculos à igualdade, acompanhar indicadores e divulgar práticas capazes de ampliar a presença feminina nos portos.
Outra frente já existente é o Guia de Enfrentamento ao Assédio no Setor Aquaviário, lançado em 2024 pelo Ministério de Portos e Aeroportos e pela Antaq, em parceria com a Wista Brazil e a Ordem dos Advogados do Brasil. O documento reúne orientações voltadas à prevenção do assédio e à construção de ambientes profissionais mais respeitosos na navegação e nas operações portuárias.
Durante o evento, o secretário nacional de Portos, Alex Ávila, recebeu uma homenagem do Grupo Tribuna. Ao comentar a participação das profissionais na administração da pasta, o secretário destacou que mulheres ocupam três das cinco posições de alta gestão da Secretaria Nacional de Portos. Esse recorte administrativo, porém, não representa a distribuição de trabalhadores de todo o setor.
A baixa participação feminina no levantamento da Antaq indica a importância de observar tanto o ingresso quanto a permanência de profissionais nas atividades portuárias. A existência de um grupo de trabalho e de materiais de prevenção é uma resposta institucional, mas a divulgação consultada não apresenta novas metas numéricas nem resultados posteriores capazes de demonstrar, por enquanto, mudança na proporção de mulheres empregadas.
O encontro terminou com a proposta de manter o diálogo entre governo, empresas e entidades setoriais. Para acompanhar se a discussão produzirá efeitos concretos, os indicadores de participação feminina e as medidas de prevenção ao assédio serão referências mais úteis do que anúncios isolados.
Fonte: Ministério de Portos e Aeroportos / Pesquisa de Equidade de Gênero da Antaq (2024)