Projeto VigIA identificou 554 vídeos e imagens manipulados em 40 dias; apenas 40% dos materiais com IA exibiam indicação adequada.
Por Redação Pimenta Notícias
Levantamento do projeto VigIA, da agência de checagem Lupa, identificou 554 vídeos e imagens classificados como deepfakes em redes sociais durante os 40 dias que antecederam o primeiro turno das eleições de 2026. Os materiais integravam um conjunto de 920 publicações em que os pesquisadores confirmaram o uso de inteligência artificial.
O relatório, divulgado em 1º de outubro e repercutido pela Agência Brasil, indica que os deepfakes representaram aproximadamente 60% dos conteúdos com IA confirmados. Nesse tipo de manipulação, imagens, vozes ou movimentos de pessoas reais são alterados digitalmente para simular situações que não aconteceram.
Maioria veio de contas comuns ou anônimas
Entre os 554 deepfakes detectados, 525 foram disseminados por perfis de usuários comuns, enquanto 29 vieram de contas de candidatos ou partidos. Esse dado mostra que o risco de circulação de conteúdos fabricados não está restrito às campanhas oficiais, alcançando perfis com diferentes níveis de identificação.
O trabalho coletou 1.941 conteúdos suspeitos; até o fechamento do relatório, 972 haviam passado por análise aprofundada e 920 foram confirmados como produzidos ou alterados com IA. A apuração combinou ferramentas técnicas de detecção e revisão por pesquisadores.
Falta de sinalização também preocupa
Dos 920 conteúdos com IA confirmados, apenas 371 estavam identificados adequadamente como materiais sintéticos ou manipulados, aproximadamente 40%. Isso significa que a maior parte circulava sem a informação exigida pelas regras de propaganda eleitoral, embora nem todo uso de IA seja proibido.
O Tribunal Superior Eleitoral estabeleceu normas específicas para conteúdos falsificados com potencial de enganar o eleitor. Diferentemente de uma montagem humorística identificada, a atribuição falsa de fala ou comportamento a uma pessoa pode resultar em medidas eleitorais conforme o contexto e a responsabilidade do autor.
Como reconhecer conteúdos suspeitos
Vídeos com áudio fora de sincronia, movimentos faciais estranhos ou origem desconhecida merecem investigação, mas falhas visuais não são prova definitiva de manipulação. A principal orientação é consultar o conteúdo original, verificar a autoria, procurar checagens independentes e não compartilhar mensagens virais sem fonte.
Imagem de arquivo do Ministério Público Eleitoral em atividade de transparência das eleições, sem representação de qualquer dos vídeos falsificados examinados pelo VigIA.
Fonte: Agência Lupa — Projeto VigIA / Agência Brasil.