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Da floresta à torneira: como o financiamento ambiental busca proteger a água das cidades amazônicas

• 17:35:00

FINANCIAMENTO / RESTAURAÇÃO / ÁGUA

Projetos em Rondônia receberam R$ 34,14 milhões do Fundo Amazônia. Uma nova chamada de até R$ 120 milhões leva a restauração de bacias ao planejamento hídrico urbano, enquanto mapas da ANA apontam menor disponibilidade futura de água no Alto Madeira e no Alto Purus.

Vista aérea do Rio Pimenta Bueno, com ponte, vegetação nas margens e ocupação urbana de Pimenta Bueno, em Rondônia.
Crédito: Wagner da Silva Paulo / Pimenta Notícias — Rio Pimenta Bueno, em Pimenta Bueno (RO). O rio e seu entorno, com vegetação nas margens e ocupação urbana.

Nos mapas encaminhados pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) ao Pimenta Notícias, os rios do Alto Madeira e do Alto Purus aparecem em diferentes tons de vermelho. A cor representa uma redução projetada na disponibilidade de água. É um cenário futuro possível que coloca uma pergunta no presente: como financiar a proteção dos territórios dos quais as cidades dependem para se abastecer?

Em 29 de julho de 2024, a ANA aprovou declarações de escassez hídrica para o Madeira e o Purus, diante de chuvas abaixo da média e níveis próximos aos mínimos históricos. Na mesma comunicação, identificou o Madeira como manancial de abastecimento de Porto Velho. Esse episódio documenta uma situação de seca; os mapas climáticos discutidos nesta reportagem projetam cenários futuros.

A resposta começa antes das estações de tratamento. Envolve nascentes, margens de rios, áreas de recarga e o trabalho de quem vive nesses lugares. Também exige recursos para implantar projetos, orientar produtores e acompanhar o que acontece depois do plantio.

Em Rondônia, duas experiências apoiadas pelo Fundo Amazônia, administrado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), mostram parte desse caminho. Quintais Amazônicos e Plantar Rondônia tiveram desembolsos que somam R$ 34,14 milhões para recuperação ambiental, assistência técnica e produção sustentável.

Agora, a chamada BNDES Territórios da Restauração — Bacias Resilientes prevê mobilizar até R$ 120 milhões em âmbito nacional para intervenções em bacias que abastecem centros urbanos. Alto Madeira e Alto Purus estão entre as regiões elegíveis, com Porto Velho e Rio Branco incluídas no escopo.

Os projetos rurais anteriores e a nova chamada têm objetivos e recortes distintos. O elo entre eles é o financiamento de intervenções ambientais. Os registros dos projetos concluídos documentam entregas em propriedades rurais; a iniciativa de 2026 pretende conectar a restauração de mananciais à segurança hídrica urbana.

O DINHEIRO FINANCIA MAIS DO QUE MUDAS

O BNDES integra o Sistema Nacional de Fomento (SNF), rede que reúne bancos de desenvolvimento, bancos públicos, agências de fomento e outras instituições voltadas ao financiamento do desenvolvimento. Nesta reportagem, sua atuação aparece em dois instrumentos diferentes: o Fundo Amazônia, responsável pelo apoio aos projetos de Rondônia, e o Fundo Socioambiental do BNDES, utilizado na chamada Bacias Resilientes.

O Fundo Amazônia oferece apoio não reembolsável a iniciativas aprovadas. Nos dois projetos examinados, os recursos chegaram à Rioterra, organização responsável pela execução, e financiaram um conjunto de atividades ambientais e produtivas. Trata-se de apoio vinculado a objetivos, entregas e acompanhamento.

Em resposta institucional enviada em 9 de outubro, o BNDES informou que as ações incluíram assistência técnica e extensão rural, capacitação de agricultores, fortalecimento de organizações locais e estruturação de viveiros, além da implantação de sistemas agroflorestais.

“Também foram desenvolvidos mecanismos de monitoramento das áreas em recuperação, incluindo ferramentas geoespaciais”, informou o BNDES. Segundo o banco, houve ainda estudos sobre absorção de carbono e evolução da cobertura vegetal.

Essa estrutura ajuda a entender o que o financiamento precisa sustentar: a escolha das áreas, o plantio, o manejo, a orientação às famílias e a verificação dos resultados.

03 / DA FLORESTA À TORNEIRA

O território integra o sistema da água

  1. Restaurar o território

    Recuperar vegetação nativa e cuidar do solo em áreas selecionadas da bacia.

  2. Proteger mananciais

    Intervenções podem conter erosão e favorecer a proteção das nascentes e margens. Os efeitos variam conforme o local.

  3. Operar o abastecimento

    Captação, tratamento e distribuição continuam necessários para que água potável chegue às casas.

O que acompanhar: estabelecimento da vegetação, condição das nascentes e qualidade da água. Restaurar não garante aumento de vazão em todos os rios.

Esquema conceitual; não mede impactos dos projetos de Rondônia. Fontes: BNDES, resposta à reportagem e regras da chamada; Filoso et al., PLOS ONE, 2017.

EM RONDÔNIA, A RECUPERAÇÃO PASSOU PELA AGRICULTURA FAMILIAR

Concluído em outubro de 2019, o Quintais Amazônicos recebeu R$ 8,84 milhões. Seu alcance territorial incluiu Itapuã do Oeste, Cujubim e Machadinho d’Oeste.

O Relatório de Atividades do Fundo Amazônia de 2020, nas páginas 94 a 100, registra 742 hectares recuperados com sistemas agroflorestais e 505 imóveis da agricultura familiar envolvidos. Esses sistemas combinam espécies florestais e cultivos agrícolas, aproximando recuperação da vegetação e produção.

O viveiro apoiado pelo projeto produziu 1.035.000 mudas. O relatório também registra assistência técnica a 1.201 pequenos agricultores familiares e investimentos no laboratório de solos da Universidade Federal de Rondônia.

Parte dos recursos remunerou práticas de conservação: 471 famílias receberam, juntas, R$ 415 mil em pagamentos por serviços ambientais, relacionados a 257 hectares. Entre os critérios estavam a implantação dos sistemas, a manutenção das áreas e a condição da cobertura do solo. O incentivo econômico procurava dar continuidade ao cuidado com a vegetação.

O Plantar Rondônia, também executado pela Rioterra, foi concluído em outubro de 2023. Com R$ 25,31 milhões desembolsados, ampliou o recorte para 12 municípios.

Seus indicadores registram atividades de recuperação implementadas em 2.765,4 hectares de 1.739 imóveis. Foram produzidas e distribuídas 3.819.602 mudas, e 3.057 famílias receberam assistência técnica e extensão rural ou agroflorestal. Durante o projeto, foram realizadas 15.815 visitas a famílias.

Os dados constam do Relatório de Atividades do Fundo Amazônia de 2023, nas páginas 101 a 105. O documento registra que as restrições da pandemia dificultaram a inclusão de novas áreas e levaram à priorização de visitas a propriedades já atendidas. A execução exigiu ajustes ao longo do percurso.

As unidades também pedem cuidado: imóveis com recuperação implementada, famílias assistidas e pessoas atendidas medem dimensões diferentes. Os totais dos dois projetos não foram somados como se representassem beneficiários únicos.

01 / RESULTADOS DOCUMENTADOS

O que o financiamento entregou em Rondônia

R$ 34,14 midesembolsados pelo Fundo Amazônia nos dois projetos concluídos

Quintais Amazônicos

Conclusão: outubro de 2019 · 3 municípios

Desembolso
R$ 8,84 mi
Área recuperada com SAFs, conforme RAFA 2020
742 hectares
Imóveis com implantação de SAFs
505
Pequenos agricultores com assistência técnica
1.201
Mudas produzidas
1.035.000

Plantar Rondônia

Conclusão: outubro de 2023 · 12 municípios

Desembolso
R$ 25,31 mi
Área com atividades de recuperação implementadas
2.765,4 hectares
Imóveis com recuperação implementada
1.739
Famílias com assistência técnica e extensão rural
3.057
Mudas produzidas e distribuídas
3.819.602
Fontes: RAFA 2020, pp. 94–100 e RAFA 2023, pp. 101–105. Valores nominais arredondados. Área, imóveis, agricultores e famílias têm definições distintas e não foram agregados. Para o Quintais, a seção de atividades do portal cita 747 ha; adotou-se 742 ha, conforme RAFA e indicador final.

O QUE OS RESULTADOS PERMITEM DIZER

O BNDES confirmou à reportagem a conclusão dos projetos e indicou os relatórios de 2020 e 2023 como referências de seus resultados. Eles permitem acompanhar desembolsos, áreas, mudas, assistência e outras entregas da execução.

Há também uma observação posterior ao plantio no Quintais. Uma avaliação externa publicada em maio de 2022 comparou imagens de satélite de 2015, 2019 e 2021. O anexo elaborado pelo Centro de Inteligência em Gestão e Tecnologia Ambiental analisou 526 polígonos, em 707,35 hectares, e concluiu que houve manutenção da vegetação no período examinado.

Essa análise acrescenta informação sobre a continuidade da cobertura vegetal depois da implantação. Seu recorte é específico: não representa uma medição da situação de todas as áreas em 2026 nem avaliou melhoria no abastecimento urbano. A área analisada pelo satélite também não deve ser confundida com o indicador de execução do projeto.

O indicador de 2.765,4 hectares do Plantar descreve áreas com atividades de recuperação implementadas. Ele não equivale, por si só, à comprovação de recuperação ecológica plenamente consolidada de toda essa extensão em 2026.

Também não foi apresentada evidência específica de que os dois projetos tenham melhorado o abastecimento urbano de Porto Velho ou Rio Branco. Seu valor para a discussão atual está nas experiências de implantação, assistência e monitoramento que documentam. Medir o efeito sobre a água exige acompanhamento próprio.

OS MAPAS MOSTRAM UM FUTURO POSSÍVEL

Em resposta enviada em 6 de outubro, a ANA explicou que o estudo Impacto da Mudança Climática nos Recursos Hídricos do Brasil, publicado em 2024, utilizou projeções climáticas para avaliar a disponibilidade hídrica futura.

Segundo a agência, os resultados para o Alto Rio Madeira e o Alto Rio Purus apontam redução nos cenários de emissão analisados. Nos mapas fornecidos para o cenário SSP3-7.0, as diminuições simuladas são majoritariamente de 10% a 25%. Trechos no sul do Alto Purus e no centro-sul e leste do Alto Madeira apresentam reduções superiores a 25%.

“Indicam caminhos futuros possíveis, mas não configuram previsão de que determinada redução ocorrerá exatamente em cada rio”, ressaltou a ANA. A agência associa a convergência dos modelos para menor disponibilidade à necessidade de planejamento de longo prazo, monitoramento e adaptação, especialmente nos períodos de menor vazão.

Os percentuais representam projeções, não perdas já medidas. Os mapas e a resposta recebida não especificam a janela temporal usada nessas duas imagens; por isso, os valores não são vinculados aqui a um ano determinado.

A informação oferece uma referência para decisões de investimento. As cidades precisam planejar seus sistemas de água considerando a possibilidade de mudanças nas bacias que os abastecem.

MAPAS OFICIAIS / ANA

Onde os modelos indicam menor disponibilidade

Mapa oficial da ANA: microrregião hidrográfica do Alto Rio Madeira, cenário SSP3-7.0. Cursos de água em tons de vermelho indicam faixas de diminuição projetada da disponibilidade hídrica futura. A legenda, a escala e a orientação estão preservadas.
Alto Rio Madeira. Variação projetada da disponibilidade hídrica futura no cenário SSP3-7.0. Fonte: ANA, imagem encaminhada à reportagem em 06/10/2026.
Ampliar mapa do Alto Rio Madeira

Role dentro do quadro para ler o mapa em resolução original.

Mapa oficial da ANA: microrregião hidrográfica do Alto Rio Madeira, cenário SSP3-7.0. Cursos de água em tons de vermelho indicam faixas de diminuição projetada da disponibilidade hídrica futura. A legenda, a escala e a orientação estão preservadas.
Baixar ou abrir o mapa original (PNG)
Mapa oficial da ANA: microrregião hidrográfica do Alto Rio Purus, cenário SSP3-7.0. Cursos de água em tons de vermelho indicam faixas de diminuição projetada da disponibilidade hídrica futura. A legenda, a escala e a orientação estão preservadas.
Alto Rio Purus. Variação projetada da disponibilidade hídrica futura no cenário SSP3-7.0. Fonte: ANA, imagem encaminhada à reportagem em 06/10/2026.
Ampliar mapa do Alto Rio Purus

Role dentro do quadro para ler o mapa em resolução original.

Mapa oficial da ANA: microrregião hidrográfica do Alto Rio Purus, cenário SSP3-7.0. Cursos de água em tons de vermelho indicam faixas de diminuição projetada da disponibilidade hídrica futura. A legenda, a escala e a orientação estão preservadas.
Baixar ou abrir o mapa original (PNG)

Leitura em texto: segundo a ANA, predominam reduções simuladas entre 10% e 25%, com trechos superiores a 25% no sul do Alto Purus e no centro-sul/leste do Alto Madeira. Os resultados têm incertezas. Os mapas recebidos não informam a janela temporal usada; seus percentuais não são apresentados como perdas atuais ou como redução prevista para um ano específico.

UMA NOVA CHAMADA PARA RESTAURAR MANANCIAIS

A Bacias Resilientes foi aberta em 11 de junho de 2026. O apoio nacional previsto reúne até R$ 60 milhões do Fundo Socioambiental do BNDES e até R$ 60 milhões de parceiros públicos ou privados. Esse teto não corresponde a dinheiro já destinado a Porto Velho ou Rio Branco.

Cada projeto deve ter valor entre R$ 15 milhões e R$ 20 milhões e execução de até 48 meses. São obrigatórias ações de restauração ecológica ou produtiva com vegetação nativa em nascentes, margens de rios ou áreas de recarga. Elas precisam ser combinadas com pelo menos outra linha de intervenção prevista na chamada, como jardins de chuva, tecnologias sociais de segurança hídrica, controle de erosão ou soluções naturais para enfrentar a poluição.

“Ao recuperar mananciais estamos apoiando o que chamamos de ‘plantar’ água”, afirmou o BNDES. A expressão descreve o objetivo de proteger os ambientes relacionados ao ciclo da água.

Há evidência científica sobre a qualidade da água. Um estudo com participação de pesquisadores da USP, publicado em 2025, comparou 30 microbacias na Mata Atlântica. Nas áreas com florestas remanescentes e restaurações mais antigas, encontrou temperaturas da água e concentrações de nutrientes mais baixas. Os benefícios variaram com a idade, a extensão e a localização da vegetação restaurada. O estudo não avaliou os projetos de Rondônia; indica por que plantar, manter e monitorar são etapas diferentes da recuperação de um manancial.

Qualidade e quantidade de água são resultados distintos. Uma revisão científica publicada na PLOS ONE mostra que a restauração pode produzir benefícios hidrológicos, mas que o aumento da quantidade de água não é um resultado automático. Clima, espécies, manejo e escala influenciam a resposta. Isso reforça a importância de selecionar as áreas e medir os efeitos esperados.

02 / NOVA FRENTE DE FINANCIAMENTO

Como se estrutura a Bacias Resilientes

Apoio nacional previsto: até R$ 120 milhões. O teto não representa recurso já desembolsado ou reservado para cada cidade.

BNDES Fundo SocioambientalAté R$ 60 miApoio não reembolsável
Parceiros públicos ou privadosAté R$ 60 miComposição de recursos prevista
R$ 15 a 20 mivalor total de cada projeto
Até 48 mesespara a execução
  1. Restaurar: vegetação nativa em nascentes, margens de rios ou áreas de recarga hídrica.
  2. Combinar: ao menos uma linha adicional da chamada, como permeabilidade urbana, tecnologias sociais de água, controle de erosão ou soluções naturais contra a poluição.
  3. Compor e comprovar: o BNDES participa em até 50% dos itens apoiáveis. Contrapartida, análise, contratação e prestação de contas integram o percurso.

Propostas até 13/10/2026, às 17h de Brasília.
Prazo prorrogado, consultado na página oficial em 10/10/2026.

Fontes: regras da Bacias Resilientes e perguntas e respostas do BNDES. Podem propor organizações privadas sem fins lucrativos elegíveis, inclusive em redes com uma líder. Seleção não equivale a liberação automática de recursos.

QUEM PODE PROPOR E COMO ACOMPANHAR

Podem apresentar propostas pessoas jurídicas de direito privado sem fins lucrativos, nacionais e sediadas no Brasil, inclusive em redes de organizações com uma entidade líder. Municípios, universidades e outras instituições podem participar como parceiros conforme o arranjo admitido; isso não os torna automaticamente proponentes elegíveis.

O documento de perguntas e respostas do BNDES esclarece que a participação do banco é limitada a 50% dos itens apoiáveis. A organização deve prever outras fontes para a contrapartida restante. Seu detalhamento pode ocorrer durante a análise, depois da submissão.

O apoio é não reembolsável, sujeito à análise, aprovação e contratação. Os desembolsos seguem um cronograma e a apresentação de documentação da execução física e financeira. A seleção de uma proposta ainda não equivale à liberação de recursos.

Na escolha dos projetos, o banco considera o alinhamento a políticas públicas, o impacto sobre a biodiversidade, o protagonismo de mulheres, a capacidade da equipe, a qualidade da proposta, o valor da contrapartida e os investimentos em soluções baseadas na natureza. A página da chamada apresenta esses critérios sem ordem de preferência.

Na consulta realizada em 10 de outubro, a página oficial informava a prorrogação das submissões para 13 de outubro de 2026, às 17h de Brasília, em razão de instabilidades no Portal do Cliente. O prazo anterior era 9 de outubro. As solicitações são feitas pelo portal, conforme as orientações da chamada.

A lista de propostas selecionadas tem divulgação esperada até o fim de 2026, segundo o documento de perguntas e respostas. Para acompanhar, o leitor pode consultar a página oficial da iniciativa. Nas próximas etapas, os indicadores previstos incluem recuperação de nascentes, qualidade da água, famílias e propriedades beneficiadas, estimativas de redução de emissões e renda em cadeias sustentáveis.

DA ÁREA RECUPERADA AO BENEFÍCIO PARA A CIDADE

A conexão com a vida urbana passa por transformar a proteção ambiental em projetos executáveis: definir onde atuar, organizar parcerias, financiar o trabalho e acompanhar os efeitos sobre os mananciais.

Quintais Amazônicos e Plantar Rondônia mostram entregas dessa estrutura no meio rural. A Bacias Resilientes propõe aplicá-la a intervenções com foco explícito nas bacias que abastecem cidades. Pela natureza de seus objetivos, a chamada dialoga com água e saneamento, cidades sustentáveis e adaptação climática, temas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável 6, 11 e 13. Essa relação é uma leitura editorial dos objetivos da iniciativa, não uma certificação de resultados.

Entre a floresta e a torneira continuam necessárias captação, tratamento e distribuição. A restauração acrescenta uma frente de cuidado com o território. Para avaliar o investimento, será preciso acompanhar tanto a vegetação que se estabelece quanto os resultados hídricos previstos em cada projeto. É nessa ligação entre recurso, execução e resultado que se poderá verificar a contribuição do financiamento para a água das cidades.

FONTES E METODOLOGIA

A reportagem utiliza respostas institucionais fornecidas à autora da apuração pelo BNDES, em 9 de outubro de 2026, e pela ANA, em 6 de outubro de 2026; páginas dos projetos; RAFA 2020 e 2023; avaliação externa de maio de 2022 (Anexo III, páginas 291 a 296); regras e perguntas e respostas da Bacias Resilientes; declaração de escassez da ANA de julho de 2024; revisão científica de 2017; e estudo de 2025 sobre microbacias da Mata Atlântica. Consulta documental atualizada em 10 de outubro de 2026. As declarações do BNDES foram encaminhadas por sua Assessoria de Imprensa e são atribuídas à instituição, conforme solicitado.

Nota sobre a área do Quintais: adotou-se o valor de 742 hectares, informado pelo RAFA 2020 e pelo indicador de avaliação final no portal. A seção de atividades da mesma página apresenta 747 hectares. Os documentos consultados não explicam a diferença; a matéria não trata os valores como equivalentes.

Os valores financeiros foram somados antes do arredondamento: R$ 8.837.852,29 + R$ 25.305.337,00 = R$ 34.143.189,29. São desembolsos históricos nominais dos dois projetos, sem atualização monetária. Os R$ 120 milhões são o teto nacional previsto para outra iniciativa. Não foram agregados hectares ou beneficiários com indicadores diferentes.

Os mapas foram fornecidos pela ANA e mantidos com título, legenda, escala e orientação. A fotografia de abertura é do Rio Pimenta Bueno, em Pimenta Bueno (RO), com identificação e crédito informados pela autora da apuração. Ela oferece contexto territorial; não documenta área financiada pelos projetos citados.

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