MapBiomas identifica avanço histórico das atividades rurais no entorno de vias e áreas protegidas; estudo exige atenção à conservação.
Por Redação Pimenta Notícias
Uma análise da Coleção 11 do MapBiomas mostra a forte associação entre estradas e a conversão de vegetação nativa em áreas de produção agropecuária no bioma Amazônia. O estudo divulgado nesta quarta-feira (14) identificou que 40,2% das áreas a até cinco quilômetros das vias mapeadas são ocupadas por atividades rurais.
O levantamento analisou aproximadamente 618 mil quilômetros de estradas e um território de 157 milhões de hectares dentro do raio observado. O dado se refere ao conjunto da Amazônia e não significa que 40,2% de todo o bioma tenha sido convertido em agricultura ou pastagens.
Distância das vias altera o padrão de ocupação
A análise aponta que, à medida que os pontos observados ficam mais distantes das estradas, a participação da agropecuária diminui. Fora da faixa de proximidade mapeada, a proporção informada é de 26,7%. A diferença demonstra como infraestrutura de circulação, acesso à terra e logística podem influenciar a ocupação.
As estradas são importantes para moradores e produtores, mas também podem facilitar abertura de novas áreas quando não estão acompanhadas de fiscalização, planejamento territorial e proteção efetiva de unidades de conservação.
Entorno de áreas protegidas também mudou
No raio de proteção observado em torno de unidades de conservação e territórios indígenas ou quilombolas, o MapBiomas identificou aproximadamente 13,6 milhões de hectares de atividades agropecuárias em 2025, resultado de expansão acumulada de 561% ao longo de 41 anos.
O crescimento de longo prazo não corresponde a uma variação de um único ano nem comprova, sem análise específica, que todas as atividades ocorreram de maneira irregular. A interpretação demanda verificar a legislação, a localização e as condições de cada território.
Desmatamento recente apresenta outro movimento
O estudo também aponta cerca de 693 mil hectares desmatados no bioma em 2025, menor marca anual de sua série histórica. A redução mais recente e a expansão da ocupação acumulada ao longo de décadas são fenômenos diferentes e podem ocorrer simultaneamente.
Para Rondônia, os indicadores ajudam a discutir logística, produção e conservação com dados territorializados, sem atribuir o mesmo percentual a cada município. A foto é ilustrativa e não representa uma área específica da amostra.
Fonte: MapBiomas / Agência Brasil / News Rondônia. Acesse a publicação de origem.