Pesquisas com quase 9 mil participantes usaram biomarcador p-tau217 e variante genética APOE; especialistas alertam que resultado de biomarcador não equivale a diagnóstico de demência.
Por Redação Pimenta Notícias
Pesquisadores desenvolveram uma estratégia que combina exames de sangue e informações genéticas para estimar o risco de progressão da doença de Alzheimer antes do aparecimento dos primeiros sinais cognitivos. Os trabalhos, publicados na revista científica The Lancet Neurology, acompanharam quase 9 mil participantes por períodos de até quatro anos.
Um dos principais elementos analisados é a p-tau217, proteína que pode ser medida no sangue e está associada a alterações cerebrais características da doença. Os pesquisadores também avaliaram variantes do gene APOE, conhecido por influenciar o risco de Alzheimer.
O que a combinação pretende prever
A proposta não é dizer com certeza quem desenvolverá demência. O objetivo é identificar grupos com maior probabilidade de apresentar progressão de alterações relacionadas ao Alzheimer, o que poderia ajudar na seleção de participantes para estudos e no acompanhamento clínico.
A presença de biomarcadores ligados ao Alzheimer não significa que a pessoa tenha demência ou que necessariamente desenvolverá sintomas. Especialistas alertam que exames desse tipo devem ser interpretados dentro de avaliação médica completa.
Por que detectar cedo é importante
As terapias mais recentes para Alzheimer tendem a ser estudadas e utilizadas nas fases iniciais da doença, antes de perdas cognitivas mais avançadas. Por isso, encontrar sinais biológicos precoces se tornou uma das principais frentes de pesquisa na área.
E no Brasil?
Pesquisadores brasileiros também investigam novas formas de identificar a doença mais cedo, incluindo inteligência artificial aplicada a eletroencefalogramas e imagens do cérebro. Essas abordagens ainda estão em desenvolvimento e não substituem a avaliação clínica.
O estudo não significa que exista um exame simples disponível para prever individualmente o futuro de qualquer pessoa. A técnica ainda precisa de validação adicional antes de uso amplo na prática médica.
Redação e contextualização: Pimenta Notícias
Fontes consultadas: estudos publicados em The Lancet Neurology e reportagem da Folha de S.Paulo.
Imagem: National Institute on Aging/NIH — domínio público. PET de cérebro com Alzheimer.
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