Teve deputado ultrapassando a marca de 3 milhões de votos, ex-primeira-dama estreando nas urnas com vitória, ex-juiz chegando ao governo de um estado e governadores garantindo mais quatro anos no cargo.
Do outro lado, políticos de projeção nacional como João Campos, Ciro Gomes e Fernando Haddad terminaram o primeiro turno derrotados em seus estados.
Na corrida pela Presidência, a decisão foi adiada: Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avançaram para o segundo turno, marcado para 25 de outubro. O TSE confirmou oficialmente os dois como os candidatos que seguirão na disputa.
Veja como se saíram alguns dos nomes mais conhecidos que apareceram nas urnas em 2026.
Um dos números mais impressionantes da eleição veio de Minas Gerais.
Nikolas Ferreira (PL) foi reeleito deputado federal com 3.119.281 votos, correspondentes a aproximadamente 27,2% dos votos válidos para deputado federal no estado.
O resultado colocou o parlamentar acima do antigo recorde nacional de Eduardo Bolsonaro, que havia recebido 1.843.735 votos em São Paulo em 2018.
Nikolas já havia sido o deputado federal mais votado do Brasil em 2022, quando recebeu aproximadamente 1,49 milhão de votos. Quatro anos depois, mais que dobrou a votação.
Se Nikolas já chegou às urnas buscando a reeleição, Michelle Bolsonaro (PL) enfrentou em 2026 sua primeira disputa por um cargo eletivo.
E saiu eleita.
A ex-primeira-dama conquistou uma das duas vagas para o Senado pelo Distrito Federal com 29,05% dos votos válidos, aproximadamente 938 mil votos.
A outra cadeira ficou com Bia Kicis (PL), que recebeu cerca de 886 mil votos.
O resultado fez com que as duas vagas ao Senado disputadas pelo Distrito Federal em 2026 fossem conquistadas por candidatas do mesmo partido.
Para Michelle, a eleição também representa a passagem definitiva da atuação partidária e das campanhas políticas para o exercício de um mandato eletivo a partir de 2027.
Outro personagem conhecido nacionalmente também saiu das urnas com novo cargo.
Sergio Moro (PL) foi eleito governador do Paraná já no primeiro turno.
Com praticamente toda a votação totalizada, Moro alcançou cerca de 50,1% dos votos válidos, superando Sandro Alex (PSD), que ficou próximo de 25%, e Requião Filho (PDT), com aproximadamente 23%.
O resultado acrescenta mais uma função à trajetória política do ex-juiz da Operação Lava Jato.
Depois de atuar como ministro da Justiça e Segurança Pública e ser eleito senador pelo Paraná em 2022, Moro deixará o Senado para assumir o governo estadual.
Em São Paulo, o confronto entre Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT) terminou novamente com vitória de Tarcísio.
Mas desta vez não foi necessário segundo turno.
Com a totalização concluída, Tarcísio alcançou 62,65% dos votos válidos, contra 36,42% de Haddad.
O governador foi reeleito para permanecer à frente do maior colégio eleitoral do país até 2030.
O resultado também representou uma nova derrota eleitoral para Haddad. Os dois já haviam se enfrentado pelo Governo de São Paulo em 2022, quando Tarcísio também venceu, naquela ocasião no segundo turno.
Uma das derrotas que mais chamou atenção neste domingo aconteceu em Pernambuco.
João Campos (PSB), nome de forte projeção nacional e que deixou a Prefeitura do Recife para disputar o governo estadual, foi derrotado pela governadora Raquel Lyra (PSD).
E a eleição terminou já no primeiro turno.
Com 100% das urnas apuradas, Raquel recebeu 2.805.438 votos, correspondentes a 53,27% dos votos válidos, e garantiu a reeleição.
O resultado ganhou ainda mais relevância porque a disputa chegou aos últimos dias bastante competitiva.
João Campos, de 32 anos, vinha ampliando sua projeção para além de Pernambuco nos últimos anos, mas não conseguiu transformar essa visibilidade em vitória na disputa estadual.
Raquel Lyra, por sua vez, conquistou o segundo mandato consecutivo no comando de Pernambuco.
Outro personagem que há décadas ocupa espaço na política nacional voltou às urnas em 2026.
Ciro Gomes (PSDB) tentou retornar ao Governo do Ceará, cargo que havia ocupado entre 1991 e 1994.
Não conseguiu.
O governador Elmano de Freitas (PT) foi reeleito ainda no primeiro turno.
Com mais de 96% das urnas totalizadas no momento em que a eleição foi matematicamente definida, Elmano tinha 52,88% dos votos válidos, enquanto Ciro registrava 46,52%.
Foi uma disputa bastante mais apertada do que em vários outros estados, mas a diferença foi suficiente para impedir a realização de um segundo turno.
Assim, uma tentativa de retorno de Ciro ao Executivo cearense, mais de três décadas depois de seu primeiro mandato, terminou sem vitória.
Nikolas Ferreira não foi o único candidato à Câmara a alcançar uma votação gigantesca.
Em São Paulo, Lucas Pavanato (PL) recebeu 3.038.438 votos, equivalentes a 12,82% dos votos válidos para deputado federal no estado.
Assim como Nikolas, Pavanato ultrapassou o antigo recorde de Eduardo Bolsonaro.
O resultado chama atenção pela velocidade de sua ascensão eleitoral.
Em 2024, Pavanato havia sido eleito o vereador mais votado da cidade de São Paulo, com pouco mais de 161 mil votos. Dois anos depois, saltou para mais de 3 milhões em uma eleição para a Câmara dos Deputados.
Minas Gerais também teve mudança importante no Executivo.
Cleitinho Azevedo (Republicanos) foi eleito governador do estado no primeiro turno, com cerca de 55,4% dos votos válidos, derrotando Patrus Ananias (PT), que aparecia com aproximadamente 26,3%.
Cleitinho havia sido eleito senador por Minas Gerais em 2022.
Assim como Sergio Moro no Paraná, deixa uma cadeira no Senado depois de conquistar o comando de seu estado.
Na principal disputa do país, ninguém encerrou a eleição neste domingo.
Flávio Bolsonaro e Lula foram os dois candidatos mais votados e avançaram ao segundo turno da eleição presidencial.
Com 99,98% das urnas apuradas, Flávio aparecia com 47,03% dos votos válidos, cerca de 56,1 milhões de votos, contra 45,15% de Lula, aproximadamente 53,9 milhões.
O resultado também deixou pelo caminho outros políticos conhecidos que tentaram romper a polarização presidencial.
Entre eles estava Ronaldo Caiado (PSD), que terminou a disputa com cerca de 2,18% dos votos, além de Romeu Zema (Novo) e outros candidatos que não conseguiram alcançar os dois primeiros colocados.
O conjunto dos resultados mostra que a eleição de 2026 produziu trajetórias bastante diferentes para políticos que chegaram às urnas com grande exposição pública.
Nikolas Ferreira transformou sua força eleitoral em um recorde para a Câmara.
Michelle Bolsonaro venceu logo em sua primeira disputa eleitoral.
Sergio Moro deixou de ser apenas senador eleito pelo Paraná para conquistar o comando do estado.
Tarcísio de Freitas garantiu a reeleição em São Paulo sem precisar enfrentar segundo turno.
Raquel Lyra interrompeu a tentativa de João Campos de levar sua projeção política do Recife para o Governo de Pernambuco.
E Elmano de Freitas impediu o retorno de Ciro Gomes ao comando do Ceará.
Ao mesmo tempo, a disputa mais importante do país permaneceu aberta.