Levantamento do Pimenta Notícias mostra avanço do campo à direita: 50 das 81 cadeiras do Senado ficam com partidos classificados à direita e 11 dos 20 governadores já definidos no 1º turno pertencem a esse grupo; Presidência vai ao 2º turno.
Por Redação Pimenta Notícias
O primeiro turno das Eleições 2026 deixou um desenho nacional mais favorável à direita, sobretudo no Senado e nos governos estaduais já definidos. Levantamento do Pimenta Notícias, com base nos resultados eleitorais divulgados neste domingo (4) e em uma classificação ideológica usada pelo Observatório Nacional da Mulher na Política da Câmara dos Deputados em parceria com a Universidade de Brasília, mostra que o campo à direita chega ao fim do primeiro turno com vantagem institucional clara.
Senado: 50 das 81 cadeiras ficam com partidos classificados à direita
A mudança mais expressiva aparece no Senado. A partir de 2027, o PL terá 28 senadores e será, isoladamente, a maior bancada da Casa. Somando PL, Republicanos, PP, União Brasil, Novo e Podemos — legendas classificadas à direita na metodologia adotada — o grupo chega a 50 das 81 cadeiras.
Isso representa aproximadamente 61,7% do Senado. Os partidos classificados no centro — MDB, PSD e PSDB — somam 15 cadeiras. As siglas classificadas à esquerda — PT, PSB, Rede e PDT — também somam 15. Há ainda um senador sem partido.
O PT terá nove senadores e aparece como segunda maior bancada individual. O MDB terá oito, Republicanos e PP terão seis cada, União Brasil e PSD terão cinco cada.
Governadores: direita vence 11 dos 20 estados já definidos
Entre os governos estaduais com resultado definitivamente fechado no primeiro turno, o mesmo padrão aparece. Excluindo o Rio de Janeiro enquanto permanecia uma pendência jurídica capaz de alterar a definição da disputa, 20 estados já tinham governador eleito.
Nesse grupo, 11 vencedores pertencem a partidos classificados à direita: cinco do PL, três do Republicanos, dois do PP e um do Podemos. Partidos de centro elegeram seis governadores — quatro pelo PSD, um pelo MDB e um pelo PSDB. A esquerda elegeu três, todos pelo PT.
Outras seis disputas estaduais ficaram para o segundo turno: Amazonas, Rio Grande do Norte, Espírito Santo, Tocantins, Acre e Distrito Federal.
Presidência: direita termina o primeiro turno na frente, mas disputa continua aberta
Na eleição presidencial, Flávio Bolsonaro (PL) terminou o primeiro turno numericamente à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com cerca de 47,1% contra 45,1% dos votos válidos na reta final da totalização.
Nenhum dos dois atingiu mais de 50% dos votos válidos. Por isso, a Presidência será decidida no segundo turno, marcado para 25 de outubro. O resultado do primeiro turno indica vantagem numérica da candidatura da direita, mas não permite dizer que a disputa presidencial esteja definida.
O que significa dizer que a direita saiu mais forte?
A conclusão deste levantamento não é uma avaliação de mérito sobre partidos ou candidatos. Ela descreve a distribuição objetiva de cargos a partir de um critério de classificação partidária previamente definido.
No Senado, a direita ultrapassa sozinha a maioria absoluta das 81 cadeiras. Nos governos já definidos, ocupa mais da metade dos estados. E, na Presidência, seu candidato terminou o primeiro turno à frente e avançou para o segundo turno.
A Câmara dos Deputados também foi totalmente renovada neste domingo, mas a consolidação nacional das 513 cadeiras ainda estava em atualização no momento do fechamento deste levantamento. Por isso, a composição ideológica da nova Câmara não foi incluída no cálculo principal desta versão.
Como os partidos foram classificados
Para evitar que os rótulos dependam da opinião editorial do portal, o Pimenta Notícias adotou como referência a classificação publicada pelo Observatório Nacional da Mulher na Política da Câmara dos Deputados, em parceria com a UnB. Nessa metodologia, PL, PP, Republicanos, União Brasil, Podemos, Novo e Avante aparecem à direita; MDB, PSD e PSDB estão no centro; e PT, PSB, PDT, Rede, PSOL, PCdoB e PV aparecem à esquerda.
A própria literatura acadêmica ressalta que o posicionamento dos partidos pode variar conforme metodologia, período e tema analisado. O objetivo do levantamento é oferecer uma fotografia comparável do resultado eleitoral, e não afirmar que todos os integrantes de uma mesma legenda tenham posições idênticas.
Em resumo: pelos cargos já definidos no primeiro turno, a direita saiu nacionalmente mais forte das urnas em 2026, especialmente no Senado. A dimensão final dessa vantagem ainda dependerá da consolidação da Câmara dos Deputados e dos resultados do segundo turno para Presidência e governos estaduais.
Fonte: Pimenta Notícias — levantamento com TSE, Agência Senado, CNN Brasil, Folha de S.Paulo e Câmara/UnB