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Paciente atendido em Cacoal recebe polilaminina em procedimento inédito na rede pública de Rondônia

• 20:45:00

 


Homem de 39 anos sofreu trauma grave na coluna após acidente de trânsito e recebeu a substância experimental no Heuro; pesquisa ainda está em fase inicial de avaliação de segurança.

Por Lucimara Maciel | Pimenta Notícias

15 de setembro de 2026

Um paciente de 39 anos, atendido em Cacoal após sofrer uma grave lesão na coluna, recebeu uma aplicação de polilaminina, substância experimental brasileira pesquisada como possível alternativa futura para pessoas com lesões na medula espinhal.

O procedimento foi realizado no Hospital de Urgência e Emergência Regional de Cacoal (Heuro), após avaliação clínica do paciente e participação da equipe responsável pela pesquisa.

Segundo informações divulgadas pela Secretaria de Estado da Saúde de Rondônia, o homem sofreu um acidente de trânsito no sábado, dia 12, e chegou à emergência com trauma grave na região torácica da coluna.

Ele precisou ser transferido para o Hospital Regional de Cacoal (HRC), onde passou por cirurgia. Após o procedimento e nova avaliação médica, apresentou as condições necessárias para receber a substância experimental.

Importante

A polilaminina ainda é experimental. A aplicação não significa garantia de recuperação e os estudos atuais ainda não comprovam sua eficácia como tratamento.

O que é a polilaminina?

A polilaminina é produzida a partir da laminina, uma proteína relacionada a diferentes funções biológicas e que vem sendo estudada por pesquisadores brasileiros por seu possível papel em processos ligados à regeneração do tecido nervoso.

As pesquisas são lideradas pela professora Tatiana Lobo Coelho de Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que desenvolve estudos relacionados à laminina e à regeneração do sistema nervoso há mais de duas décadas.

Em janeiro de 2026, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o início de um estudo clínico de fase 1 com a polilaminina.

Estudo ainda avalia segurança

Neste primeiro estágio da pesquisa clínica, o objetivo principal é avaliar a segurança da aplicação, e não comprovar que a substância seja capaz de recuperar movimentos ou reverter definitivamente uma lesão medular.

A própria Anvisa esclarece que a fase 1 inicialmente autorizada envolve um número reduzido de pacientes e que os resultados ainda são insuficientes para avaliar a eficácia do produto.

Somente etapas posteriores de pesquisa, caso sejam realizadas e apresentem resultados satisfatórios, poderão produzir evidências mais robustas sobre eventual eficácia.

Em outras palavras: o procedimento realizado em Cacoal representa uma etapa importante para a pesquisa científica, mas a polilaminina ainda não deve ser apresentada como cura para lesões na medula.

Paciente será acompanhado

A evolução clínica do paciente deverá ser acompanhada conforme os protocolos técnicos e científicos estabelecidos para a utilização da substância.

O procedimento realizado em Cacoal insere a rede estadual de saúde de Rondônia nesse momento das pesquisas brasileiras voltadas a novas possibilidades para pessoas com trauma medular.

Fontes consultadas

Secom/Governo de Rondônia — informações sobre o atendimento realizado em Cacoal.

Anvisa — informações oficiais sobre a fase clínica e os limites atuais da pesquisa.

Lucimara Maciel
Pimenta Notícias

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