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O que acontece quando para de usar tirzepatida? Estudos mostram reganho de peso

• 10:50:00
O que acontece quando para de usar tirzepatida? Estudos mostram reganho de peso
Jacqueline Spotto/Anvisa — origem e licença da imagem

SURMOUNT-4 indica que a interrupção pode ser seguida por recuperação substancial do peso e perda de parte dos benefícios metabólicos.

Por Redação Pimenta Notícias

Resposta curta: interromper a tirzepatida pode ser seguido por reganho de peso. No SURMOUNT-4, participantes que trocaram o medicamento por placebo recuperaram, em média, 14% do peso a partir do momento da retirada durante as 52 semanas seguintes.

Uma das dúvidas mais importantes sobre tirzepatida aparece depois da perda de peso: o que acontece quando o medicamento é interrompido? A resposta dos estudos contraria a ideia de que o tratamento necessariamente funciona como um ciclo curto, com começo, fim e manutenção automática do resultado.

O que mostrou o SURMOUNT-4

No estudo SURMOUNT-4, 783 adultos com obesidade ou sobrepeso e condição relacionada ao peso iniciaram uma fase de 36 semanas usando tirzepatida. Entre os que chegaram à etapa de randomização, a redução média inicial do peso foi de 20,9%.

Depois disso, 670 participantes foram divididos em dois grupos: um continuou com a tirzepatida e o outro passou a receber placebo durante mais 52 semanas.

Quem continuou o tratamento perdeu, em média, mais 5,5% do peso a partir da randomização. Quem mudou para placebo apresentou reganho médio de 14% no mesmo período.

Manter a perda também foi diferente

Ao final do estudo, 89,5% dos participantes que continuaram tirzepatida mantiveram pelo menos 80% da perda obtida na fase inicial. No grupo que passou para placebo, essa proporção foi de 16,6%.

Reganho não significa “vício”. O estudo é compatível com o entendimento da obesidade como doença crônica e recidivante. Quando um tratamento que influencia apetite e metabolismo é retirado, mecanismos biológicos de recuperação de peso podem voltar a exercer maior efeito.

Os benefícios metabólicos também podem recuar

Uma análise posterior do SURMOUNT-4 publicada em 2026 examinou parâmetros cardiometabólicos após a retirada. Quanto maior o reganho, maior foi a reversão de melhorias observadas anteriormente em medidas como circunferência abdominal, pressão arterial, glicemia, colesterol não HDL e resistência à insulina.

Isso não significa que todos os benefícios desapareçam na mesma velocidade ou intensidade. A análise mostra uma associação entre maior recuperação de peso e maior perda de parte das melhorias obtidas.

Então o tratamento precisa ser para sempre?

O estudo não estabelece uma duração universal de tratamento. Essa decisão depende de indicação, resposta, tolerabilidade, riscos, objetivo clínico, disponibilidade e acompanhamento profissional.

O que ele mostra é que interromper por conta própria com a expectativa de que o peso permanecerá automaticamente no mesmo patamar não é uma conclusão sustentada pelos dados.

Por que essa informação é importante

Antes de iniciar um tratamento crônico, o paciente precisa discutir não apenas a expectativa de perda de peso, mas também estratégia de manutenção, acompanhamento, hábitos, possíveis efeitos adversos e o que será feito se houver necessidade de interrupção.

Essa conversa é especialmente relevante porque o custo, o acesso e a tolerabilidade podem mudar ao longo do tempo. Planejar a continuidade faz parte do tratamento — não é uma questão que deve aparecer apenas quando a medicação acaba.

Apuração e redação: Pimenta Notícias

Fontes consultadas: JAMA — ensaio SURMOUNT-4; JAMA Internal Medicine — análise de parâmetros cardiometabólicos após retirada; Anvisa — indicação aprovada para controle crônico do peso.

Sobre esta reportagem: os dados descrevem grupos de ensaios clínicos. A decisão de interromper ou manter medicamento deve ser individualizada por profissional habilitado.

Fonte: Pimenta Notícias — apuração própria; fontes: JAMA, JAMA Internal Medicine e Anvisa

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