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Monstro: A História de Lizzie Borden — final explicado, o que é real e o que a Netflix mudou

• 17:49:00
Monstro: A História de Lizzie Borden — final explicado, o que é real e o que a Netflix mudou
Netflix / divulgação — origem e licença da imagem

A série transforma um dos crimes mais famosos dos EUA em drama psicológico; veja como termina, o que aconteceu de verdade e quais partes foram ficcionalizadas. AVISO: contém spoilers.

Por Redação Pimenta Notícias

AVISO: esta matéria contém spoilers importantes de Monstro: A História de Lizzie Borden.

A nova temporada da antologia Monstro, criada por Ryan Murphy e Ian Brennan, volta a um dos crimes mais famosos da história dos Estados Unidos: os assassinatos de Andrew e Abby Borden, em 1892, na cidade de Fall River, em Massachusetts. A filha de Andrew, Lizzie Borden, foi acusada pelos dois homicídios, levada a julgamento e absolvida em 1893. Mais de 130 anos depois, o caso continua cercado de dúvidas.

A série da Netflix parte desses fatos conhecidos, mas não tenta funcionar como uma reconstituição documental. Ela escolhe uma interpretação para preencher os espaços que a história nunca resolveu e transforma Lizzie, vivida por Ella Beatty, em uma personagem marcada por repressão, desejo de liberdade e violência.

Como termina Monstro: A História de Lizzie Borden?

No universo da série, não existe ambiguidade sobre quem matou Andrew e Abby. Lizzie e Bridget “Maggie” Sullivan participam diretamente dos crimes. A relação entre as duas, construída como uma ligação afetiva e sexual, também se torna peça central para explicar as escolhas da protagonista.

Depois dos assassinatos, a investigação começa a cercar Lizzie. A produção dramatiza as suspeitas, os depoimentos e o julgamento, mas também mostra como os códigos sociais da época influenciam a percepção sobre ela. A imagem de uma jovem branca, de família conhecida e criada dentro de padrões vitorianos entra em choque com a brutalidade dos crimes.

Lizzie acaba absolvida. A partir daí, a série muda a pergunta. Já não importa apenas saber se ela escapará da condenação, mas entender o que acontece com uma pessoa que conquista a liberdade que desejava depois de atravessar uma violência tão extrema.

O que acontece com Maggie?

Maggie ocupa uma posição muito maior na ficção do que aquela que pode ser comprovada pelos registros históricos. Na série, ela funciona como cúmplice, paixão e espécie de catalisadora da transformação de Lizzie.

Essa escolha permite que a produção construa uma narrativa de duas mulheres tentando escapar das limitações impostas por classe, gênero e moralidade no fim do século XIX. Mas é importante separar a proposta dramática do registro histórico: a hipótese de uma relação amorosa entre Lizzie e Bridget Sullivan existe há décadas na cultura popular, porém não há prova conclusiva de que isso tenha ocorrido.

Lizzie Borden realmente matou o pai e a madrasta?

Essa é justamente a pergunta que nunca foi respondida de forma definitiva.

Na manhã de 4 de agosto de 1892, Abby Borden foi encontrada morta no andar superior da casa. Andrew Borden foi encontrado depois no sofá da sala. Segundo os dados históricos destacados pela própria Netflix ao contextualizar a série, Abby sofreu 19 golpes e Andrew, 11 — números bem diferentes da famosa cantiga que fala em 40 e 41 machadadas.

Lizzie foi presa e acusada. Em junho de 1893, o júri a absolveu. Nenhuma outra pessoa foi condenada pelos dois assassinatos. Isso significa que, juridicamente, Lizzie deixou o tribunal inocentada, embora o debate sobre sua possível participação nunca tenha desaparecido.

O que a Netflix mudou em relação ao caso real?

A produção preserva vários elementos conhecidos da investigação, mas reorganiza acontecimentos e cria relações para dar coesão à narrativa.

Um dos exemplos mais claros envolve Bertha Manchester. Na série, a morte da vizinha funciona como uma espécie de ensaio para os assassinatos de Andrew e Abby. Historicamente, porém, Bertha foi morta depois do casal Borden, pouco antes do julgamento de Lizzie. O caso teve outro acusado: o imigrante português Jose Correa de Mello, condenado injustamente pelo crime.

Outra mudança envolve a atriz Nance O’Neil. A série a coloca ajudando Lizzie durante o julgamento. Na vida real, as duas só se conheceram depois que o processo havia terminado. A alteração serve à dramaturgia porque transforma o tribunal em uma discussão também sobre performance, aparência e construção pública da inocência.

E a relação de Lizzie com Aileen Wuornos?

Essa é uma das escolhas mais ousadas da temporada.

Sarah Paulson aparece como Aileen Wuornos, assassina em série condenada por mortes ocorridas na Flórida entre 1989 e 1990. As duas mulheres viveram em épocas completamente diferentes e não tiveram qualquer relação pessoal.

A série usa Aileen como uma ponte temática. O objetivo é conectar histórias de mulheres que se tornaram símbolos nacionais de violência, julgamento público e fascínio midiático. No final, a presença de Aileen reforça a pergunta que atravessa toda a antologia Monstro: até que ponto alguém nasce violento e até que ponto é moldado pelas circunstâncias?

Por que Lizzie Borden ainda fascina mais de um século depois?

Parte da força do caso vem justamente do vazio deixado pela absolvição. Houve duas vítimas, um julgamento altamente divulgado e nenhuma condenação. Isso abriu espaço para livros, filmes, teorias e interpretações que continuam surgindo até hoje.

A temporada da Netflix entra nesse espaço conscientemente. Ela não apresenta sua versão como uma descoberta histórica, e sim como uma leitura dramática possível sobre uma personagem real cuja intimidade continua praticamente inacessível.

Por isso, a melhor forma de assistir é manter duas ideias ao mesmo tempo: Lizzie Borden existiu, foi julgada e absolvida; a Lizzie mostrada em Monstro, por outro lado, é uma criação ficcional construída sobre lacunas que a história nunca conseguiu preencher.

Fonte: Netflix Tudum

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