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Maracatu de Baque Solto preserva poesia, música e memória da Zona da Mata de Pernambuco

• 23:50:00
Maracatu de Baque Solto preserva poesia, música e memória da Zona da Mata de Pernambuco
Lídia Marques / Acervo Iphan — origem e licença da imagem

Manifestação reconhecida como Patrimônio Cultural do Brasil reúne dança, religiosidade e conhecimentos transmitidos entre gerações.

Por Redação Pimenta Notícias

Dança, música, poesia, religiosidade e memória do trabalho nos canaviais se encontram no Maracatu de Baque Solto, uma das manifestações culturais mais marcantes da Zona da Mata Norte de Pernambuco. O festejo foi destacado nesta quarta-feira (30) pelo Ministério da Cultura em uma publicação sobre patrimônio imaterial brasileiro.

Também chamado de Maracatu Rural, de Orquestra, de Trombone ou de Baque Singelo, ele se desenvolveu em comunidades ligadas ao ciclo da cana-de-açúcar e carrega saberes transmitidos entre gerações.

Patrimônio Cultural do Brasil desde 2014

O Maracatu de Baque Solto foi reconhecido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em 2014 e registrado no Livro das Formas de Expressão. O reconhecimento reforça seu valor como prática coletiva e como referência cultural para comunidades pernambucanas.

Muitos dos primeiros grupos foram formados por trabalhadores dos engenhos. Nas áreas rurais, o maracatu ganhou espaço em festas, encontros comunitários e rituais, tornando-se uma forma de celebração, fé e resistência.

Caboclo de lança é um dos personagens mais conhecidos

Entre as figuras mais emblemáticas está o caboclo de lança, que usa gola bordada com lantejoulas, miçangas e vidrilhos, chapéu enfeitado com fitas, chocalhos e lança coberta por tiras coloridas.

O cortejo também reúne caboclos de pena, baianas, dama do paço, rei, rainha e personagens cômicos. Cada integrante cumpre uma função na composição visual, musical e teatral do grupo.

Música e poesia são conduzidas pelo mestre

A sonoridade combina percussão e instrumentos de sopro. Tarol, surdo, ganzá, cuíca e gonguê dividem espaço com trombones, trompetes, saxofones e clarinetes.

O mestre do apito conduz o ritmo, organiza a apresentação e improvisa as chamadas loas, versos rimados que podem falar do cotidiano, da própria tradição ou das experiências dos integrantes.

Embora seja muito associado ao Carnaval, o Maracatu de Baque Solto permanece ativo ao longo do ano em ensaios, sambadas, preparação de roupas e atividades nas sedes e terreiros dos grupos.

Fonte consultada: Ministério da Cultura / Iphan.

Foto: Lídia Marques/Acervo Iphan.

Fonte: Ministério da Cultura / Iphan

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