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Casal adota três irmãos após 15 dias na fila; grupo havia sido recusado por mais de 70 pretendentes

• 09:19:00
Casal adota três irmãos após 15 dias na fila; grupo havia sido recusado por mais de 70 pretendentes
Perpetual Fostering / Wikimedia Commons — CC BY 2.0. Imagem ilustrativa. — origem e licença da imagem

Família do Paraná saiu de casa sem filhos e voltou com três irmãos; história expõe as dificuldades enfrentadas por grupos de irmãos, crianças mais velhas e pessoas com deficiência no sistema de adoção.

Por Redação Pimenta Notícias

Quinze dias depois de entrar oficialmente na fila de adoção, um casal de Ampére, no Paraná, recebeu a ligação que mudaria completamente a rotina da família: havia três irmãos esperando por pais. Carlos tinha 6 anos, Aghata 3 e Emily apenas 10 meses quando foram apresentados a Thaynna Desirêe Bueno Rubele, de 31 anos, e ao marido.

A história, publicada originalmente pela Revista Crescer e repercutida nacionalmente, chama atenção não apenas pela rapidez da aproximação. Antes de o casal aceitar conhecer as crianças, o grupo de irmãos havia sido recusado por mais de 70 pretendentes, segundo o relato de Thaynna.

O caso ajuda a mostrar uma realidade conhecida pelo Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento: crianças mais velhas, adolescentes, grupos de irmãos e crianças com deficiência ou necessidades específicas de saúde costumam ter mais dificuldade para encontrar famílias. Em 2026, o Conselho Nacional de Justiça ampliou nacionalmente uma ferramenta de busca ativa voltada justamente a esses perfis.

A adoção já estava nos planos antes da ligação

Segundo o relato publicado pela Crescer, a adoção já fazia parte dos planos do casal antes mesmo de Thaynna receber o diagnóstico de endometriose. Depois de saber que poderia enfrentar dificuldades para engravidar e que uma gestação poderia exigir tratamento, os dois decidiram antecipar o projeto de adoção.

O processo de habilitação levou cerca de nove meses. Depois de concluída essa etapa, a espera foi surpreendentemente curta: apenas 15 dias até a ligação informando que havia três irmãos compatíveis com o perfil da família.

Dez dias depois, o casal enfrentou uma viagem de aproximadamente 12 horas para conhecer as crianças. Carlos e Aghata estavam juntos em acolhimento familiar; Emily havia sido encaminhada para outra família acolhedora ainda bebê.

O primeiro encontro virou uma mudança definitiva de vida

Thaynna contou que o primeiro contato foi emocionante, mas diferente da cena idealizada que muitas pessoas imaginam quando falam em adoção. Havia afeto, expectativa e também o cuidado necessário para respeitar vínculos já existentes com as famílias acolhedoras.

Após alguns dias de visitas, os irmãos passaram um fim de semana com o casal. A permanência acabou sendo autorizada judicialmente e, a partir dali, a família começou a construir uma nova rotina praticamente de uma vez só: três crianças, idades diferentes e necessidades distintas.

Uma família de uma só vez

O casal entrou no processo preparado para adotar e, em poucas semanas após a habilitação, passou a organizar escola, alimentação, sono, fisioterapia, cuidados com uma bebê e a adaptação emocional dos três irmãos.

Por que mais de 70 pretendentes haviam recusado os irmãos?

Segundo Thaynna, parte das recusas estava relacionada ao fato de serem três irmãos, à deficiência de Carlos e também a preferências raciais manifestadas por pretendentes. O menino tem uma forma leve de paralisia cerebral e necessita de acompanhamento e fisioterapia.

Ela relatou ainda que alguns interessados inicialmente aceitavam o perfil descrito no sistema, mas desistiam depois de ver fotografias das crianças. Essas razões são apresentadas como relato da mãe adotiva e não como conclusão de um órgão público sobre cada uma das recusas.

O episódio, entretanto, coincide com um desafio reconhecido oficialmente pelo CNJ. A busca ativa do Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento reúne justamente crianças e adolescentes que enfrentam maior dificuldade para adoção, incluindo grupos de irmãos, crianças mais velhas e pessoas com deficiência ou condições específicas de saúde.

CNJ criou ferramenta nacional para aproximar famílias de perfis com menor procura

Em maio de 2026, o Conselho Nacional de Justiça anunciou a expansão nacional do aplicativo A.DOT SNA. A ferramenta foi desenvolvida originalmente pelo Tribunal de Justiça do Paraná e passou a integrar a estratégia nacional de busca ativa.

O objetivo é permitir que pretendentes habilitados conheçam, dentro das regras do sistema, perfis de crianças e adolescentes que costumam permanecer mais tempo aguardando uma família. A iniciativa não substitui o processo judicial de adoção nem permite escolha informal de crianças: todo o procedimento continua submetido ao Judiciário e às equipes técnicas.

Um ano depois, a adaptação continua sendo construída

A chegada das crianças exigiu mudanças profundas na rotina do casal. Carlos passou a receber acompanhamento para melhorar a locomoção e a confiança; Aghata precisou de apoio para expressar sentimentos e lidar com a nova dinâmica; Emily ainda era bebê e demandava os cuidados típicos da primeira infância.

Thaynna relatou que a família estruturou horários e tarefas e conta com a ajuda da avó das crianças. Depois de um ano, ela descreveu o período como uma mistura de cansaço, dúvidas, conquistas e construção diária de vínculo.

A história ganhou repercussão justamente porque rompe com a ideia de que adoção é apenas uma longa espera por um bebê com perfil previamente idealizado. Neste caso, a rapidez aconteceu porque o casal estava disposto a receber um grupo de irmãos com características que haviam afastado dezenas de outros pretendentes.

Redação e contextualização: Pimenta Notícias

Fontes consultadas: Revista Crescer e Conselho Nacional de Justiça.

Imagem: Perpetual Fostering / Wikimedia Commons — CC BY 2.0. Imagem ilustrativa.

O relato da família foi publicado originalmente pela Revista Crescer. O Pimenta Notícias ampliou o conteúdo com contexto sobre o Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento e a política de busca ativa do CNJ.

Fonte: Pimenta Notícias — redação e contextualização

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