Pesquisa com 1.026 alunos de 74 faculdades brasileiras encontrou sintomas moderados a graves em 66% dos participantes; autores ressaltam que rastreamento não equivale a diagnóstico.
Por Redação Pimenta Notícias
Uma pesquisa com 1.026 estudantes de 74 faculdades de medicina brasileiras encontrou sintomas depressivos de moderados a graves em 66% dos participantes. Sintomas de ansiedade na mesma faixa foram relatados por 50,5%.
O trabalho, publicado na Brazilian Journal of Psychiatry, analisou estudantes do primeiro ao sexto ano. Entre os fatores investigados, a falta de tempo apareceu como o estressor de maior peso, seguida por preocupações com a própria saúde e dificuldades nos relacionamentos.
Os pesquisadores fazem uma ressalva importante: o questionário PHQ-9 utilizado no estudo é uma ferramenta de rastreamento e não estabelece diagnóstico de depressão. A confirmação de um transtorno exige avaliação clínica individual.
O estudo também encontrou associação entre a percepção do ambiente de aprendizagem e a intensidade dos sintomas. Quanto pior a avaliação do ambiente e maior o estresse acadêmico, maior foi o sofrimento relatado pelos participantes.
A participação na pesquisa foi voluntária, o que pode influenciar os resultados. Os autores afirmam que os dados ajudam a dimensionar o problema, mas não permitem concluir que 66% de todos os estudantes de medicina do país tenham depressão.